Não vejo como o ateísmo poderia fazer sentido. Antes de tudo porque é uma doutrina ou uma posição filosófica negativa: Deus não existe. E mais do que isso, trata-se da posição de que não há um princípio que dê ordem às coisas. Jamais poderia haver afirmações mais anti-científicas, já que impossíveis de se provar: como se pode mostrar que Deus não existe sem recorrer a infantilizações do tipo a compará-lo a Papai Noel ou a coelhinho da páscoa? Deus existe e existe necessariamente porque um ser infinito e perfeito existe necessariamente; que o homem, um ser finito e imperfeito, carregue em si a idéia de infinitude e perfeição nos constrange a reconhecer que essa idéia nos é alheia; ou como poderia um ser finito conceber a idéia do infinito em ato?
Antes de dizer bobagens, seria preciso ir além da idéia primária de finitude e infinitude. Não é o infinito uma negação em si (embora seja uma negação morfologicamente falando); ao contrário, a finitude é negativa, já que impõe limites, circunscreve juridições. Se fosse possível pensar o infinito, não o faríamos espacialmente, já que a própria idéia de espaço exige a finitude. Um ser infinito não pode ser concebido espacialmente — o próprio espaço já seria uma limitação sua.
Só resta aos ateus a única arma da refutação irracional, ou da pseudo-refutação; sem o deboche e o escárnio não conseguiriam escrever ou falar contra o teísmo. Nada mais irracional, pois, que o ateísmo. E se pode falar o quanto quiser sobre as irracionalidades da Bíblia; um bom cristão talvez as assumisse; a diferença é que ele as tomaria como verdades de fé e não verdades de razão. Já o ateu pretende-se um grande defensor da racionalidade, mas jamais consegue argumentar sem crendices. A confiança em uma teoria da verdade por correspondência e a fé cega nos dados dos sentidos (como princípio) impedem os pseudo-cientistas de verem que sem a crença metafísica em várias partículas ou fenômenos, pouco a sua pseudo-ciência teria a dizer sobre o que quer que seja. Falta aos acólitos do ateísmo e do cientificismo, anti-científico, porque anti-epistêmico, perceberem que mais arrogam saber do que de fato sabem.
E Dawkins não passa do grande bufão do chamado neo-ateísmo.
3 Réplicas
faz algum sentido opor o ateu ao crente-carola, no sentido de ambos dizerem ter a palavra final, ou um approach certeiro, nessa questao chamada DEUS.
Mas, talvez, o ateu seja somente um céico, por exemplo, que só acredite que há um princípio que reja as coisas [as coisas humanas, por suposicao, pois nao vejo relacao muito clara entre estas e uma ordem cósmica - relacionada a astros, estrelas, coisas inanimadas, destituídas de qualquer característica relacionada ao cogito - parece tao absurdo assim?] se este princípio for demonstrado, embora, HOJE, acho que seja indemonstravel semelhante ‘ordem’ para algo como nossa especie humana. Ou será que é mesmo possível provar que algo nao existe? Nao seria mais lógico exigir a prova da existencia?
o bufao dawkins, através do darwinismo, expoe a tese de que o complexo sucede ao simples, o contrario do teísmo que supoe o complexo como o INÍCIO de tudo o que, em seguida, veio desenvolvendo-se - parece-me mais com a utopia social-comunista que acredita em uma superestrutura inflexível e necessária aa vida por excelencia e que, se adotada [e.g. reino de deus, iluminacao budista], trará redencao e imperará o BEM
VC está distorcendo as idéias e viajando. Não nenhuma relação entre uma ordem do universo e deus.
Rodrigo, não entendi a sua objeção, já que em momento algum eu disse que há relação entre a ordem do universo e Deus. Mesmo porque o universo, se infinito, só o pode ser potencialmente; inversamente a Deus, que é infinito em ato. E isso aprendi nas primeiras aulas sobre a prova ontológica em Descartes…
Gabiru, achei interessante a sua objeção. Mas acho bom pontuar algumas questões: (1) é preciso distinguir ateísmo e ceticismo, porque no último impera a suspensão do juízo, quando no primeiro há claramente o juízo de que Deus não existe, daí que seja uma doutrina negativa, ao passo que o ceticismo é essencialmente interrogativo; (2) atualmente tendo a crer que a prova ontológica é suficiente para saber-se que Deus existe, já que um ser infinito existe necessariamente; (3) não consigo pensar em Deus como sendo complexo, mas tão-somente simples, e, nesse sentido, é a criação complexa (múltipla), enquanto o incriado é simples (uno); (4) o materialismo histórico não é mais, no fim das contas, que um messianismo materialista, embora como método seja útil.
Grande abraço a todos.