Antes de falar sobre assuntos vãos (nós e os outros), vão ouvindo essa canção dessa estranha bandinha que apareceu do nada na SomaFM (best radio station ever):
Mus - Añada Pal Primer Mes (do álbum La Vida)
Juntando-me a este e aquele rapaz, resolvi escrever algo sobre o fim dos Wunderblogs, que foi um dos fenômenos mais interessantes que já apareceram na infante internet brasileira — se bem que a internet é infante worldwide.
Se minha memória não falha, eu os conheci quando Julio Lemos abandonou o seu endereço capitalismo.blogspot.com para adentrar no mundo de maravilhas em ultramontano.wunderblogs.com. Acho que foi isso, ou algo assim. Já o blog do Julio, conheci-o através de um cara aleatório no ICQ (acho que o adicionei ao copiar um UIN errado) — aliás, trata-se hoje de um dos sujeitos mais interessantes que conheço, embora admiti-lo possa soar meio… alegre, digamos.
É incrível perceber como a vida pode ser feita de momentos totalmente aleatórios, sem que algum nexo causal firme possa dar conta do significado desses movimentos. Foi assim que conheci “Maria Madalena”, pelo Soulseek, procurando um álbum (”Caos Mental Geral”) de uma banda de panque roque brasileira, Cólera. Aliás, o nome do programa (as in Napster) é Soulseek sabe-se Deus por quê, embora seus membros apenas queiram baixar emepetres — nada romântico, a despeito do nome.
Enfim, voltando ao assunto, conheci os Wunderblogs mais ou menos em 2003. Na mesma época estava descobrindo alguns textos daquele cujo nome não deve ser mencionado — principalmente aquele que trata de Educação Liberal. Do nada, acho que já pelo MSN, depois de ter passado o endereço do blog do Ortiz a Lolla Moon, ela vem e me passa o link de um texto em que Felipe Ortiz falava sobre aquele que parecia ser um de seus maiores interesses na vida, os tais Great Books of the Western World. O Alexandrinas foi então o segundo blog que passei a ler dali, depois do do Julio.
Pouco depois passei a ler o Aqua Permanens, do hippie (cof) Marcelo De Polli. Digo hippie porque o cara apareceu todo cabeludão e barbudo numa reportagem que a TV Cultura fez sobre o lançamento do livro dos Wunderblogs na Livraria Cultura. Mas, enfim, antes disso acabei me enervando com qualquer coisa de um texto do De Polli em que ele dizia que a turma do Lula só queria parasitar o capitalismo. O grande conflito que eu via naquele texto era a coexistência de dois fatos estranhos (se bem me lembro): a idéia de que havia desenvolvimento capitalista, ao passo que a turma do PT só queria parasitar o capitalismo. Foi quando entrei na minha primeira e única grande discussão com os vândalos, de que sempre fui fã, assinando Trotskista (e disso houve até ecos e xingamentos).
Mais tarde, em 2006, logo depois de ter entrado na USP, criei um blog chamado “besouro verde” (no Blogger), sem saber que esse maldito nome era título de um filme de Bruce Lee — se arrependimento matasse —, do qual acabei descobrindo que o Alexandre gosta (refiro-me ao filme). Também disso há ecos, porque aparentemente eu tinha mania de escrever muitos e muitos comentários por lá na época (às vezes, agora, transfiro essas pulsões para o lado negro, aka smart ass of blue).
Descobri briguinhas, gerei uma ou duas delas, assisti outras várias, li arquivos… fiquei marromenos amigo do Marcelo Rota — ele e aquele garoto sujo me defenderam na época do besouro, quando os vândalos (mainly o Martim do B, Radamanto) ficavam fazendo fofoquinha sobre mim no fórum deles.
Veio a época do Protosophos, conheci Julio Lemos pessoalmente, pelo qual encontrei Alexandre e Radamanto num Fran’s Café da vida. Aliás, a situação foi terrivelmente constrangedora. Imaginem vocês que 3/4 dos que estavam lá vão embora e ficamos eu, o Nagase (do Protosophos), o Alexandre e o Radamanto à mesa, sem assunto. Mesmo lançando provocações do tipo “blogs portugueses são muito chatos”, o Alexandre permaneceu impassível… e horripilantemente tímido. Deus, como o cara é tímido.
Por fim, vá Kardec entender por quê, o Alexandre resolveu conceder a melhor entrevista de todos os tempos para o Protosophos. Entrevista a qual se encontra totalmente perdida num desses caninhos aí da internet. Isso depois do Rota estrear aquelas nossas entrevistas do sábado, da qual depois participaram Pedro Sette Câmara e Janer Cristaldo — a quem contatei talvez por admirar a admiração que Juliana Lemos um dia expressara pelo cara em um dos seus posts, chamando-o de poliglota e tal.
Aliás, maldita seja Miss Veen. Uma vez cheguei a mandar um e-mail para ela (idos de 2003), no qual mais ou menos me apresentava (acho que dizer a minha idade pôs tudo abaixo); logo ela achou que se tratava de uma brincadeira e respondeu com um “você não acha que vou cair nessa, né?”. Malditos vândalos que viviam pregando peças entre si.
Acho que encerro aqui. Abruptamente talvez. Assim como abrupto foi o fim dos wunders (embora de um repentino aos pouquinhos, convenhamos). Assim como abrupta foi a ida do Filthy para o A Postos. E assim como será a triste ida de Soares Silva para lá.
E, sim, eles foram bons. E sim, estão sepultando definitivamente a adolescência de muita gente, inclusive a minha — talvez a de Alexandre também, embora ele já tenha seus inexplicáveis cabelos brancos, ao que de repente penso, será ele Johnny Depp com suas mechas kardecistas branquinhas? Mas, seja como for, não digam “nunca antes na história do Brasil…” para os vândalos. Eles já o estão fazendo… vão assim acabar se juntando ao autoproclamado maior filósofo e ao também autoproclamado maior poeta desde Camões… para não dizer que o “Zeitgeist” presidencial os condena. E, sim, foram ótimos, etc., etc.
Uma Réplica
Mas é pena que alguns deles acabem indo para o blogger. Aqui onde trabalho os sites com blogspot no nome são bloqueados.
Se um dia os apostos acabarem, espero que vão para o wordpress, ao menos.